Sobre a Integração do Hosp. Pulido Valente em Santa Maria

COMUNICADO

A INTEGRAÇÃO NO HOSPITAL DE SANTA MARIA (HSM) DO HOSPITAL DE PULIDO VALENTE (HPV)


1 O Hospital Pulido Valente tem obtido resultados assinaláveis, como reconheceu no ano passado a revista “Sábado” em estudo conjunto com a Escola Nacional de Saúde Pública. É também reconhecido o acolhimento humano prestado pelos profissionais do HPV pois o testemunham numerosos doentes.

Quando tanto se fala em acessibilidades e em aproximar os hospitais das populações, não se deve ignorar que na zona norte de Lisboa se observa grande actividade de construção urbanística pelo que a população desta área deveria ser naturalmente servida pelo HPV.

2 Face a esta realidade o PCP considera, contrariando o Plano Regional de Saúde, elaborado em 1998-1999, que previa a desactivação do HPV, que este tem lugar na rede hospitalar de Lisboa.

3 Há vários anos que equipas do HPV participam no serviço de Urgência do Hospital Santa Maria e esta associação pode sem dúvida alargar-se a outros sectores de maneira vantajosa para os utentes. Por exemplo, a aquisição em comum de medicamentos, equipamentos, reagentes é uma medida de boa gestão assim como o aproveitamento das tecnologias instaladas no Hospital de Santa Maria e inexistentes no HPV.

Porém, outras medidas levantam fortes reservas. A nova equipa administrativa anunciou que não se iam reduzir as camas de doentes agudos nem extinguir serviços. Ora quase imediatamente é, na prática, dissolvido o serviço de Patologia Clínica, cuja privatização estava na agenda da anterior administração.

4 Ficando no HPV apenas a secção de Microbacteriologia e uma urgência reduzida ao mínimo é de temer que a transferência das restantes amostras se faça em condições inadequadas quanto à rapidez de transporte, o acondicionamento, o tempo de resposta, etc. Os meios informáticos, e muito menos os telefónicos, não conseguem ultrapassar todas as dificuldades que o diálogo presencial quantas vezes resolve.

5 Quando hoje nos países desenvolvidos se orienta a organização dos serviços laboratoriais para soluções globais e integradas em que a distinção entre análises urgentes e não urgentes tende a esbater-se, estas primeiras medidas na prática representam uma solução que desvaloriza o serviço e, através dele, o Hospital.

As análises excluídas da curta lista do “posto avançado” chegarão oportunamente às unidades de cuidados intensivos ou às mãos dos assistentes das dezenas de casos diários urgentes? Duvidamos e por isso consideramos que esta decisão configura uma primeira grande machadada no HPV. Não foi já tentada a venda do edifício Rainha D. Amélia à Misericórdia?

6 Em vez de se atacarem problemas a necessitar de correcção imediata como o das refeições de má qualidade para doentes e pessoal, conservadas em contentores durante a noite, parece que a nova equipa tomou já o caminho do desmantelamento do HPV com tiques de comportamento autoritário e de desconsideração por trabalhadores e hierarquias de serviços do Hospital.

A CHAMADA REMODELAÇÃO DA FUNÇÃO PÚBLICA

Declarando que não cederá nos pontos essenciais, o Secretário de Estado da Administração Pública entregou aos Sindicatos um projecto de lei sobre vínculos, carreiras e remunerações em que anuncia o fim dos vínculos actuais. Todos os trabalhadores passariam a regime de contrato… desde que comprovem possuir a aptidão física e o perfil psicológico adequado!!!...Estamos a voltar ao antigamente?

Segundo este projecto-lei, os quadros seriam extintos e substituídos por mapas. Estes, anualmente propostos pelo director de serviço, dependerão do orçamento. É óbvio que se o orçamento não for compatível com o número de trabalhadores existente… alguém será afastado, talvez com base na avaliação do desempenho, isto é nos despedimentos sem justa causa.

A actual política para o Serviço Nacional de Saúde está reger-se por medidas economicistas para este ser entregue progressivamente às grandes empresas privadas.

Neste quadro o PCP apela a um protesto generalizado no dia 30 de Maio, sob a forma de GREVE GERAL, convocada pela CGTP-IN, contra esta política de destruição do Serviço Nacional de Saúde traduzida na liquidação das carreiras e dos vínculos públicos, no aumento e criação de novas taxas moderadoras, na extinção de CATUS, serviços de urgência, maternidades e na desactivação de hospitais públicos necessários ao país abrindo espaço aos hospitais privados.

O Sector da Saúde da Organização Regional de Lisboa do PCP

Maio 2007

Maio 2007

Governo PS – Promotor ou Coveiro do Serviço Nacional de Saúde?

COMUNICADO

Governo PS – Promotor ou Coveiro do Serviço Nacional de Saúde?


Ultrapassada a barreira da propaganda do governo, em particular do Primeiro-ministro, o que sobra da sua Política de Saúde são:

Opções, medidas e actos, encadeados ou dispersos, que tornam mais caro e mais difícil o acesso da maioria dos Portugueses aos cuidados de saúde;

Taxas “moderadoras” em cima de taxas “moderadoras”, indo já em mais de 400 taxas para vários actos de saúde (Portaria Nº 395-A de 30 de Março 2007). Destas, 201 taxas têm um valor superior a 2 euros e podem ir até mais de 20€; segundo o aumento recente que sofreram, que atinge nalguns casos 250 %;

Encerramento de vários serviços e privatizações crescentes de sectores clínicos essenciais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com o sector privado a consumir já quase 50% do orçamento do SNS. Só o Grupo Melo/Saúde teve em 2006, 104.6 Milhões de Euros de lucro com a sociedade gestora do Hospital (público) Fernando Fonseca (Amadora/Sintra).

Para continuar a degradação do SNS e facilitar o seu controlo e domínio por parte dos grandes grupos privados, o governo anunciou recentemente que pretende acabar de facto e formalmente com as carreiras profissionais e com os vínculos laborais públicos na quase totalidade da Administração Pública (AP) e instituir o Contrato de Trabalho privado na Administração Pública – quer para os funcionários do quadro, quer para os que já têm contrato individual.

É uma pura mistificação apresentar esta política como salvadora de alguma coisa.

O que de facto está em marcha é o enterro a prazo do SNS e de todas as funções sociais do Estado.

Um retrocesso social para a esmagadora maioria dos Portugueses.

H.S. Maria – Que balanço e perspectiva?

A célula do PCP, aquando da passagem em Janeiro de 2006 do HSM a EPE, exprimiu a sua total oposição a tal modelo de gestão hospitalar por ele viabilizar e permitir a prazo o desmantelamento e a privatização de sectores essenciais do SNS e do HSM.

No quadro duma política de saúde do governo muito negativa e nefasta para os trabalhadores e os utentes, estes primeiros 16 meses da existência do HSM-EPE revelam um balanço contraditório, traduzido, nomeadamente, por:

Um largo conjunto de investimentos (que há muito eram reclamados) nalguns casos essenciais na humanização dos cuidados prestados e noutros assegurando a eficiência dos recursos existentes, mas sem avanços significativos na concretização do seu Plano Estratégico e de Modernização;

Várias medidas de gestão com um sentido positivo, mas sem um enquadramento politico adequado e o envolvimento necessário dos profissionais do HSM indispensável ao seu completo sucesso;

Progressos na área laboral com o estabelecimento de alguns contratos sem termo mas sem uma política de recursos humanos centrada na motivação, no empenhamento e na melhoria das condições de trabalho e sociais com persistência na redução de efectivos sem sustentação numa reestruturação efectiva e permanente da prestação de cuidados;

Persistência da precariedade laboral para cerca de 30% dos trabalhadores; Alargamento da contratação directa de trabalhadores a recibo verde e do recurso a empresas de aluguer de mão-de-obra;

Crescimento considerável da prestação externa de serviços;

Total ausência de perspectivas de promoção e progressão nas carreiras face á política do Governo de ataque aos Funcionários Públicos, situação esta de que são vítima também os trabalhadores com contrato individual;

Aplicação de taxas moderadoras aos profissionais do HSM que sob a capa de uma medida igualitária e de reposição da legalidade que não foi mais que um grave erro de gestão de recursos humanos. Salienta-se entretanto, o cumprimento da lei com a criação do serviço de saúde ocupacional, apesar das suas actuais fragilidades;

Saída significativa de profissionais qualificados e persistência de carências graves nas áreas dos Serviços Gerais, Enfermagem, Administrativa e de algumas Especialidades Médicas;

Recurso excessivo a médicos internos para os serviços de urgência (Central e Interna) sem tempo e espaço para a sua formação adequada;

Medidas de gestão positivas mas que mal assessoradas e acompanhadas se vem traduzindo em frustração para muitos profissionais que continuam a não ver os benefícios dos processos em curso mas apenas os custos, nomeadamente a falta de alguns equipamentos e materiais consumíveis diversos que chegam a pôr em causa a qualidade dos cuidados de saúde prestados em alguns serviços do hospital.

Face ao actual quadro político mais geral são essenciais três questões para o futuro do HSM:

Manter todas as áreas fundamentais do hospital (clínicas e outras) sob gestão pública, integradas no SNS e com uma gestão eficaz e sustentada;

Avançar na concretização do Plano Estratégico e de Modernização;

Adoptar um quadro de pessoal do HSM com a integração de todos os trabalhadores e o fim da precariedade laboral e dar satisfação ás suas justas expectativas de promoção na carreira profissional.

A situação e os problemas mais agudos que o HSM enfrenta resultam da política de direita seguida pelos vários Governos, muitas vezes camuflada com um discurso tecnocrata de esquerda e até por acções dispersas e incoerentes cujo resultado se traduz sempre em prejuízo para os portugueses, em particular quando doentes, e em beneficio sistemático dos grupos económicos que desta situação lucram.

A sua solução eficaz está assim associada à luta e à acção política convergente por uma nova política de saúde e por uma alternativa política de esquerda para Portugal.

Neste sentido a célula do PCP apela aos trabalhadores do Hospital de Stª Maria à sua adesão à GREVE GERAL, convocada pela CGTP, para 30 de Maio.

Lisboa, Maio de 2007

                                                  Célula do PCP no HSM

EMPACOTAR OS HOSPITAIS PSIQUIATRICOS PARA OS DESMANTELAR?

EMPACOTAR OS HOSPITAIS PSIQUIATRICOS PARA OS DESMANTELAR?
 
Assistimos à substituição dos Conselhos de Administração dos Hospitais Júlio de Matos e Miguel Bombarda por um único órgão de gestão comum àqueles hospitais. Aguardamos para tentar saber qual a finalidade desta mudança, mas até esta data nada de oficial nos foi dado saber.
Todavia, sabemos que este governo cuja política na área da saúde se cifra pelos cortes, sempre com o argumento de que a meta é melhorar, também não deixa a saúde mental em paz.
Os alvos mais fáceis e mais apetecíveis são os poucos hospitais psiquiátricos do Estado, que se contam pelos dedos de uma mão. A finalidade é “reestruturar” a saúde mental, os meios são o abate à carga do Estado de mais uns hospitais. Mantém-se o mistério: quais serão? Parece que o segredo é a alma do negócio...
A Comissão para a Reestruturação é presidida pela mesma pessoa que encabeçou há quase 20 anos a tentativa de venda especulativa dos terrenos do Júlio de Matos, na altura em que reinava no ministério Leonor Beleza. Mudam-se os tempos, mas as vontades são as mesmas.
Ninguém está convencido de que algo de bom se prepara. Correm boatos, até se diz que o ministério se iria alojar num dos hospitais psiquiátricos. Neste ambiente de incerteza, de instabilidade e de perturbação, alongado por quase um ano, já se ressente a saúde mental dos técnicos e dos doentes.
O projecto da Comissão de Reestruturação, anunciado para o fim de Março, e sucessivamente adiado, deve ser objecto de um atento exame. Os trabalhadores dos Serviços de Saúde Mental e Psiquiatria devem preparar-se para agir e reagir, defendendo direitos profissionais e as condições de vida e assistência dos doentes psiquiátricos.
Por detrás das palavras, das promessas, há que estar atento à realidade dos factos que não mentem!
Mais que certo é que nada de bom se projecta, nem para os utentes, nem para os trabalhadores dos Hospitais Psiquiátricos. Razão de sobra para uma massiva adesão à Greve Geral do dia 30 de Maio, convocada pela CGTP, como forma de travar esta onda de destruição.
 
Lisboa, Maio de 2007
 O.D. Sector Saúde

Reorganização do CHL Central EPE

Reorganização do CHL Central EPE
Organização do futuro Hospital de Todos os Santos

 
O projecto para a construção do novo Hospital de Todos os Santos (HTS), recentemente divulgado pela Administração do CHLC EPE e colocado ao dispor de todos para discussão (que consideramos positivo), levanta-nos várias questões e grandes preocupações: 
 
1.O projecto do novo HTS só pode ser analisado e discutido tendo em conta a sua integração no Serviço Nacional de Saúde (SNS), mais concretamente na região de Lisboa e áreas envolventes, segundo o Plano Director Regional de Saúde (Lisboa e Vale do Tejo), concluído em 2002.   
A área de influência (directa e referenciada), que irá definir o número de camas e recursos humanos e materiais, tem de ter em conta as estruturas hospitalares e de cuidados primários existentes e as previstas, nomeadamente os hospitais de Loures, V. F. Xira, Cascais e Sintra. 
 
2.Por outro lado, o encerramento dos actuais hospitais do CHLC e do H. Curry Cabral, deixa sem assistência a zona central de Lisboa (zona velha) que, com população residente e população flutuante muito numerosa, leva à necessidade de  permanência de uma Unidade Hospitalar de_cuidados básicos, como previsto no referido Plano Director Regional.
 
3.Havendo pontos discutíveis, positivos e negativos no projecto organizativo do futuro HTS, em cuja discussão todos devemos participar, este só poderá ser implementado quando as outras estruturas estiverem em funcionamento. Mas os atrasos que se verificam, nomeadamente nos processos dos hospitais de Loures e Cascais, colocam-nos grandes interrogações e dúvidas, dando tempo à instalação do sector privado que aparece como alternativa ao serviço público.
 
4.Relativamente ao “Plano de Transição” e ao modo como está a ser implementado, consideramos que está a ter uma repercussão negativa no atendimento aos utentes e a criar instabilidade entre os profissionais contribuindo para esta situação os seguintes factos:
 
    O encerramento apressado do Hospital do Desterro, com redução do número de camas e espaço físico sem estarem criadas alternativas sérias previamente;
    A concentração  e deslocação de serviços e consultas e, simultaneamente, as obras de reestruturação do Serviço de Urgência, com consequente deslocação de meios humanos e materiais da Urgência para áreas de internamento, causando sérias dificuldades no atendimento e agravamento das condições de trabalho dos profissionais;
    O desconhecimento do destino do Hospital do Desterro, continuando as suas instalações sem ser utilizadas nem promovida a sua adaptação a hospital de retaguarda (para eventuais necessidades temporárias) ou de cuidados continuados;
    A projectada e já iniciada redução significativa do número de camas (até às previstas para o HTS?), que será uma medida desastrosa, atendendo à população que actualmente recorre ao CHLC e sem existirem as alternativas já referidas (entrada em funcionamento de outras unidades hospitalares);    
    A preocupante ausência de planificação de política de Recursos Humanos, sendo objectivamente amputados com o início da sua redução na passagem do CHL a EPE e criação do “quadro residual”, desconhecendo-se o futuro quadro do novo hospital;
    A inexistência de qualquer referência ao Hospital de cuidados básicos para a cidade, com a consequente ausência de participação dos quadros do CHLC na sua organização e de perspectivas de absorção de parte dos seus Recursos Humanos. 
 
São estes alguns dos factores geradores de instabilidade e de desmotivação entre os trabalhadores. O envolvimento de todos neste projecto, pressupõe que se clarifique o seu futuro quer a nível de capacidade de prestação de cuidados às populações que continuam a procurar os seus cuidados nos actuais serviços do CHLC, quer a nível das possíveis alternativas da sua integração nas estruturas do S.N.S..
 
Só assim se evitará a desmotivação e eventual sangria dos melhores elementos, com a desnatação dos quadros profissionais do CHLC.
 
 
Abril de 2007
                                                             A Célula do CHLC do P. C. P.

Boletim da Saúde - PRINCIPIOS SOBRE O MEDICAMENTO

PRINCIPIOS SOBRE O MEDICAMENTO

I – UM “BEM” INDISPENSÁVEL AO DIREITO À SAUDE

Sendo o direito à Saúde uma aquisição inquestionável das sociedades modernas, todos os cidadãos devem ter igual acesso aos recursos fármaco terapêuticos que o avanço das ciências proporciona

Uma Politica do Medicamento deve:

- Garantir a todos a satisfação integral desta necessidade;

- Basear-se em critérios de justiça social a gratuidade e a comparticipação.

II – UM “BEM” PARA USO RACIONAL

A escolha do medicamento, para cada situação, é uma decisão técnica que envolve opções relativas à qualidade e à relação risco/beneficio. Mas, cada vez mais o prescritor deve equacionar uma outra relação, o custo/beneficio.

Nos medicamentos que dispensam prescrição médica, transfere-se para o utilizador e para o farmacêutico a responsabilidade da escolha, aceitável para certos grupos de fármacos, de venda exclusiva na farmácia e com preço fixo.

Uma Politica do Medicamento deve Implementar:

- Correctos critérios de escolha de medicamentos, através de formação institucional e informação independente;

- Formulários e protocolos. Genéricos;

- Garantia de qualidade e Fármaco vigilância;

- Correcta informação dos Utilizadores. Proibição de publicidade dirigida ao publico.

III – UM “BEM” ECONÓMICO

A produção, distribuição e comercialização do medicamento, gera emprego intensivo e especializado, desenvolve e importa tecnologia aplicável noutras áreas, alimenta múltiplas actividades produtivas (industria química, do papel, do vidro, dos plásticos, gráfica e design, etc.), além de desenvolver actividades empresariais de armazenamento, distribuição e comercialização com grande impacto no custo final.

Contrariamente, a desvalorização do sector produtivo nacional de medicamentos, além de agravar a balança comercial, representa o desperdício de mão-de-obra qualificada, de quadros técnico-científicos e de tecnologia instalada, além de geradora de desemprego.

Uma Politica do Medicamento deve Implementar:

- A produção nacional, tendo em conta as suas repercussões sobre varias áreas da economia, emprego e património técnico-científico do pais;

- O desenvolvimento técnico-científico e a investigação capazes de dotar a produção nacional.

IV – UM “BEM” ESTRATÉGICO

Sendo o medicamento um bem indispensável à manutenção da vida e da saúde da comunidade, deve esta, na medida dos seus recursos técnico-científicos e em matérias primas, dispor dos meios que permitam não ficar na total dependência do exterior.

Uma Verdadeira Politica Nacional do Medicamento deve:

- Inventariar os medicamentos essenciais;

- Orientar a indústria nacional para a produção de medicamentos essenciais, se necessário através de fábricas do estado.


SECTOR SAÚDE O.R.L.

Boletim da Saúde - EM DEFESA DO SERVIÇO NACIONAL DE SAUDE

EM DEFESA DO SERVIÇO NACIONAL DE SAUDE 

Subordinado a este lema, o PCP iniciou em 26 de Outubro uma campanha sobre a problemática da Saúde, a defesa e melhoria do SNS, instrumento fundamental de importantes progressos alcançados, mesmo em condições politicas adversas, logo após a sua criação em 1979.

São inegáveis esses progressos testemunhados pela melhoria dos indicadores de saúde. No entanto, persistem graves problemas no acesso (230 000 em lista de espera para cirurgias, além de incontáveis milhares nas consultas de todo o tipo de especialidades) além da falta de médicos de família a cerca de milhão e meio de Portugueses. É, na prática, esta sonegação de cuidados de saúde atempados que é preciso combater.

Apesar da boa qualidade técnica dos profissionais de saúde, reconhecida internacionalmente, acentua-se o risco da degradação da qualidade desses cuidados.
As causas desta situação radicam, fundamentalmente, no financiamento cronicamente insuficiente do SNS, a par de uma crescente canibalização pelos grupos privados, gerando fabulosos lucros à custa do orçamento da Saúde.

Momento marcante desta evolução foi a publicação da Lei 48/90, que abriu a porta a toda a espécie de promiscuidade entre o público e privado, apontando ainda para a famosa gestão empresarial que, como já esta comprovado, tem agravado a despesa com a saúde.

È a saúde transformada em negócio como se de uma mera mercadoria se tratasse à custa das finanças públicas e dos utentes.

O PCP tem apresentado ao longo dos anos, na Assembleia da Republica, projectos de lei para obstar o agravamento da despesa, racionalizando gastos com medicamentos e subcontratação de serviços, fomentando o pleno aproveitamento da capacidade do SNS., tendo como principio fundamental uma rigorosa separação entre público e privado, mantendo a sua gestão totalmente no Sector Público Administrativo (SPA) com regras transparentes.

Estas propostas têm recebido da parte dos partidos do “círculo do poder” – PS/PSD e CDS – uma sistemática oposição, com os resultados desastrosos que os Portugueses conhecem.

É tempo de pedir contas a estes Partidos!

Boletim do Sector da Saúde - CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOS

CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOS – CSP

Segundo a Organização Mundial de Saúde. Os CSP são parte integrante do desenvolvimento socioeconómico da sociedade e do sistema nacional de saúde, de que constituem função central e são principal núcleo.

Esta importância estratégica reconhecida mundialmente, apesar dos avanços quer legislativos quer práticos no pós/25 de Abril, com a evolução para os chamados Centros de Saúde de 2ª Geração, a partir do DL 254/82, tem vindo a ser progressivamente desinvestida, com a desvalorização social e profissional das Carreiras de Medicina Geral e Familiar e de Saúde Publica e, sobretudo, na carência de dotação de recursos humanos, financeiros, técnicos e organizativos que acompanhou a progressiva propaganda e prática neo-liberal, em Portugal e no mundo, arrastando a crescente necessidade de estruturas hospitalares de pesados custos.

Nesta opção errada, sublinhamos a irracionalidade da política de saúde seguida nas últimas duas décadas, intercalada com medidas legislativas com aspectos positivos, mas sem nenhum efeito prático, os quais, pode dizer-se que visam, sobretudo, efeitos propagandísticos, com a promessa de qualidade e eficiência, numa desenfreada demagogia em que este MS, Correia de Campos, é um verdadeiro especialista.

Um caso exemplar é o das Unidades de Saúde Familiar, estrutura orgânica potencialmente positiva, mas totalmente errada nos moldes em que estão a ser lançadas no terreno. Ao contrário do que é anunciado não têm hipóteses de resolver o problema do Acesso a cerca de milhão e meio de portugueses sem médico de família, verificando-se que  a deslocação de profissionais de saúde para tais unidades, ou deixa a descoberto a lista que detinham ou, se a levam, não resolvem o problema e, se a aumentam, é o descalabro da qualidade. Além disso, estas Unidades, ao serem criadas, exigem outros recursos que não foram disponibilizados aos Centros de Saúde, correndo-se o risco de agravamento dos males de que já padecem.

Mas o aspecto mais perverso, na actual concepção das Unidades de Saúde Familiar, é a sua total apetência para se tornarem entidades totalmente privadas, nesta marcha desenfreada para a comercialização do Bem Saúde, sujeito à finalidade primeira do lucro, como, alias, se tem verificado com as empresas estratégicas, outrora do domínio publico – GALP, EDP, PT etc. …- que, hoje no domínio privado, não têm cessado de aumentar escandalosamente os seus lucros à custa dos preços empolados pagos pelos consumidores, nesta “liberdade de comércio” selvagem.

Há que inverter esta desastrosa política de elevados custos, mas sem benefícios para os utentes.

“A Saúde é um direito, não é um negócio”

Boletim Sector da Saúde - A DEMAGOGIA DO MINISTO DA SAÚDE

A DEMAGOGIA DO MINISTO DA SAÚDE

Nesta vertiginosa acção de encerramento de Unidades de Saúde, onde o fecho de maternidades foi o ponto mais polémico, o Ministro da Saúde (MS) foi “habilidoso” em ligar a diminuição da mortalidade infantil ao fecho de algumas maternidades. Foi o argumento fulcral. Mas, qualquer técnico de saúde atento sabe que esta relação de causalidade é redutora….

Com efeito, a Revolução de Abril abriu novos horizontes à saúde pública e, em geral, a todas as áreas de saúde – um entusiástico envolvimento dos técnicos de saúde (serviço à periferia), a melhoria das condições sanitárias (fruto do trabalho das autarquias), uma melhor educação para a saúde (campanhas de dinamização) e, duma maneira geral, uma importante melhoria das condições económicas da população portuguesa. Enfim, um conjunto de factores, onde o fecho de algumas maternidades, em condições muito diferentes das actuais, foi um entre muitos.

Demagogicamente, em nome dos superiores interesses da segurança e qualidade, ligados mecanicamente ao critério quantitativo dos 1500 partos (número magico!), intoxica-se a opinião pública escondendo-se os factores decisivos dos resultados alcançados.

Esta politica de encerramento de escolas, de serviços de urgência, de centros de saúde, de maternidades acentua as causas de desertificação do interior.

E mais uma vez este MS vem, demagogicamente, inverter as causas, dizendo que “não se pode manter artificialmente as aldeias”, enveredando pela liquidação sumaria, retirando-lhes o suporte da sua existência. Registe-se, a este respeito, as declarações do Prof. Albino Aroso, em debate televisivo, que o grande drama era a diminuição dos nascimentos nessas mesmas zonas em vias de desertificação!

Nada de surpreendente será o nascimento de toda espécie de serviços de saúde privados, onde seja rentável, mesmo maternidades que não obedecerão aos tais requisitos de segurança, abertas apenas até às 21 horas!...

Há que travar o “Negócio com a nossa Saúde”!