1919, As Eleições para a Assembleia Constituinte e a Ditadura do Proletariado

«Os bolcheviques venceram, antes de mais, porque tinham por si a maioria esmagadora do proletariado, e nele a parte mais consciente, enérgica e revolucionária, uma verdadeira vanguarda dessa classe avançada.»

«A possibilidade de tudo isso é dada, naturalmente, apenas por um determinado nível de desenvolvimento capitalista. Sem essa condição fundamental não pode haver a separação do proletariado numa classe especial nem o êxito da sua longa preparação, educação, instrução, comprovação na luta em longos anos de greves, de manifestações, de denúncia e de eliminação dos oportunistas.»

«Os senhores «socialistas» da II Internacional, cheios de preconceitos pequeno-burgueses, esquecendo-se do principal na doutrina de Marx sobre o Estado, encaram o poder de Estado como se este fosse uma coisa sagrada, um ídolo ou a resultante de eleições formais, o absoluto da «democracia consequente» (ou sei lá como se chamam outros disparates do género). Eles não vêem no poder de Estado simplesmente um instrumento que diferentes classes podem e devem utilizar (e saber utilizar) para os seus objectivos de classe.»

«A burguesia utilizava o poder de Estado como instrumento da classe dos capitalistas contra o proletariado, contra todos os trabalhadores. Assim era nas repúblicas burguesas mais democráticas. Só os traidores ao marxismo «esqueceram» isso.»

«O proletariado deve (tendo reunido «grupos de choque» políticos e militares suficientemente fortes) derrubar a burguesia, retirar-lhe o poder de Estado para utilizar este instrumento para os seus objectivos de classe. E quais são os objectivos de classe do proletariado? Reprimir a resistência da burguesia. Neutralizar o campesinato e, se for possível, atraí-lo - em todo o caso, a maioria da sua parte trabalhadora, não exploradora - para o seu lado. Organizar a grande produção mecanizada nas fábricas e meios de produção em geral expropriados à burguesia. Organizar o socialismo sobre as ruínas do capitalismo.»

«É esta dialéctica que nunca conseguiram compreender os traidores, os estúpidos e os pedantes da II Internacional: o proletariado não pode vencer sem conquistar para o seu lado a maioria da população. Mas limitar ou condicionar essa conquista à obtenção da maioria dos votos nas eleições sob o domínio da burguesia é uma pobreza de espírito completa ou simplesmente enganar os operários. Para conquistar a maioria da população para o seu lado, o proletariado deve, em primeiro lugar, derrubar a burguesia e tomar o poder de Estado nas suas mãos; deve, em segundo lugar, introduzir o Poder Soviético, partindo em pedaços o velho aparelho de Estado, minando assim imediatamente o domínio, o prestígio, a influência da burguesia e dos conciliadores pequeno-burgueses no seio das massas trabalhadoras não proletárias. Deve, em terceiro lugar, acabar com a influência da burguesia e dos conciliadores pequeno-burgueses no seio da maioria das massas trabalhadoras não proletárias pela satisfação revolucionária das suas necessidades económicas à custa dos exploradores.»

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