41 - Um grande debate ideológico

 Nos anos de 1960-1961, desenvolve-se no Partido uma profunda discussão sobre a clarificação da via para o derrubamento do fascismo, para além de um conjunto de questões como a defesa do Partido, a política de quadros, o trabalho de organização e de direcção, e problemas fundamentais de táctica e orientação do Partido. Este trabalho culmina na reunião do Comité Central de Março de 1961 – na qual o CC faz uma profunda análise ao seu trabalho de direcção nos anos anteriores e submete a uma severa crítica o desvio de direita que se verificara em vários campos da sua actuação no período de 1957-1959. É traçada uma nova orientação, define-se a via para o derrubamento do fascismo e para a conquista das liberdades políticas.


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40 - Os movimentos de libertação das colónias

 

4 de Fevereiro de 1961: inicia-se a insurreição do povo de Angola, sob a direcção do MPLA. Dezembro de 1962: Salazar é derrotado em Goa, Damão e Diu. Janeiro de 1963: o PAIGC inicia a luta armada na Guiné. Setembro de 1964: a FRELIMO inicia a luta armada em Moçambique. As guerras coloniais desencadeiam uma grande vaga de lutas no país. Os soldados protestam contra o embarque para África. Há manifestações e lutas nos cais de embarque.


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39 - Fuga de Peniche

Foi uma das mais espectaculares evasões de toda a história do fascismo. Quer por se tratar de um numeroso grupo de dirigentes e quadros do PCP – Álvaro Cunhal, Joaquim Gomes, Jaime Serra, Carlos Costa, Francisco Miguel, Pedro Soares, Rogério de Carvalho, Guilherme Carvalho, José Carlos, Francisco Martins Rodrigues – quer porque se tratou da fuga de um dos mais seguros cárceres fascistas. A fuga de Peniche – saudada com imensa alegria pelo povo português – foi uma grande vitória do Partido que, recuperando um elevado número de valiosos dirigentes, desencadearia e dirigiria nos anos seguintes algumas das mais importantes lutas contra a ditadura. Da fuga de Peniche viria a resultar, ainda, um sério reforço do trabalho de direcção do Partido.

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38 - O protesto contra a burla eleitoral

A farsa eleitoral desencadeou uma poderosa vaga de protestos, encabeçada pela classe operária. Na jornada nacional de protesto contra a burla eleitoral, participaram centenas de milhares de trabalhadores. A repressão foi violenta. Milhares de antifascistas e militantes comunistas foram presos. Em Montemor-o-Novo, a GNR, a mando de um agrário e presidente da Câmara, assassina, a tiro, o militante comunista José Adelino dos Santos. O militante comunista Raul Alves, operário de Vila Franca de Xira, é morto pela PIDE, que o lança do 3.º andar da sua sede em Lisboa.

 

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37 - Eleições Presidenciais de 1958

 Na campanha eleitoral de 1958, para a Presidência da República, o fascismo não consegue impedir a concorrência da oposição. Apesar das proibições, das violências, das prisões, das cargas policiais, de que resultaram inúmeros feridos, nos 28 dias de campanha, por toda a parte, de norte a sul do País, realizaram-se grandiosas manifestações de rua de apoio aos dois candidatos da Oposição, o general Humberto Delgado e o democrata Arlindo Vicente. Muitas centenas de milhares de pessoas participaram, assim, numa das maiores batalhas travadas contra a ditadura fascista, reclamando as liberdades democráticas, a libertação dos presos políticos, a demissão do governo de Salazar. Com o chamado "Pacto de Cacilhas" Arlindo Vicente desistiu a favor de Humberto Delgado, único candidato da oposição a ir a votos e que mais tarde foi assassinado pela PIDE.


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36 - V Congresso do PCP

 

O V Congresso realizou-se de 8 a 15 de Setembro de 1957. Aprovou os primeiros Estatutos e Programa do Partido. Debateu o problema colonial, pronunciando-se inequivocamente pelo reconhecimento do direito dos povos das colónias à imediata independência. Na decorrência do fim da guerra e do restabelecimento, em 1947, das relações do PCP com o movimento comunista internacional, este é o primeiro Congresso do PCP que recebe saudações de outros partidos comunistas.

 

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35 - Ilegalização do MUD Juvenil

Em 1955, a PIDE prende mais de uma centena de jovens do MUD Juvenil – entre os quais o futuro Presidente do MPLA, Agostinho Neto. Dois anos e meio mais tarde serão condenados no processo que ilegaliza este Movimento.

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34 - Catarina Eufémia

19 de Maio de 1954. Os operários agrícolas de Baleizão estão em greve, reivindicando melhores jornas para matar a fome. A unidade é total, ninguém trabalha na terra baleizoeira. Um agrário contrata um rancho em Penedo Gordo e mal chega a Baleizão a notícia de que o rancho começou a trabalhar, todos se dirigem em massa para a seara. O entendimento foi fácil e os de Penedo Gordo largam o trabalho. O agrário chama a GNR que, com a ameaça das armas, obriga o rancho a retomar o trabalho. Os trabalhadores de Baleizão voltam à seara para falar de novo aos seus companheiros de trabalho. A GNR impede-os. Conseguem impor que uma delegação de mulheres vá falar com o rancho. Catarina integra essa delegação. Um tenente da GNR – Carrajola – interpela a valente camponesa apontando-lhe uma pistola-metralhadora. E dispara. Catarina era militante comunista. Tinha 29 anos. Deixou três filhos órfãos. O quarto, que trazia no ventre, foi assassinado com ela.

 

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33 - A luta pela paz

No início dos anos 50, a luta pela paz é uma das mais importantes frentes da luta antifascista. É criada a Comissão Nacional para a Defesa da Paz que lança a palavra de ordem: «100 mil assinaturas para o apelo de Estocolmo». Em 1952 travam-se importantes lutas contra o Pacto do Atlântico e pela assinatura de um Pacto de Paz. Em 1953, os professores Rui Luís Gomes e Manuel Valadares e a escritora Maria Lamas são eleitos para o Conselho Mundial da Paz.

 

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32 - Assassinados pelo fascismo

 O fascismo matou com a tortura em brutais interrogatórios nas cadeias; com trabalhos forçados, castigos, falta de assistência perante doenças mortíferas; assassinou traiçoeiramente a tiro em estradas desertas ou nas casas de habitação de antifascistas; ceifou vidas disparando contra trabalhadores em luta. Entre as muitas vítimas, estão: António Ferreira Soares, Francisco Ferreira Marquês, Germano Vidigal, José Moreira. Muitos comunistas morreram nas cadeias ou depois de libertados após longos anos de cárcere e outros por não poderem tratar-se, porque obrigados à clandestinidade – entre estes, Soeiro Pereira Gomes, José Gregório, Manuel Rodrigues da Silva.


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