51 - A classe operária na vanguarda da luta

 

Com a substituição de Salazar, alguns sectores da Oposição, nomeadamente socialistas, declararam-se esperançados na manobra “liberalizante” de Marcelo Caetano, cujo objectivo era, sem nada alterar da política de Salazar, alargar as bases de apoio do regime. No momento em que o fascismo procurava semear ilusões e criar a passividade, a classe operária avança e mobiliza outros sectores para a luta. Um forte movimento grevista alastrou por todo o País: pescadores de Matosinhos, marmoristas de Pêro Pinheiro, operários dos lanifícios da Covilhã, conserveiras do Algarve, Carris, Lisnave, General Motors, Ford, Cabos Ávila, Cel-Cat, Utic, Arsenal, Covina, Cimentos Tejo, Firestone, Tabaqueira, TAP, CP, Robialac, Corame, Sorefame, Standar Eléctrica, Tudor – e muitas outras.

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50 - Solidariedade com os presos políticos

 

A solidariedade internacional para com a luta do povo português, com a exigência de libertação dos presos políticos, constituiu um forte apoio à luta antifascista. No interior do País, a formação de comissões de luta contra a repressão e de apoio aos presos políticos, as concentrações e manifestações, a edição de materiais de propaganda, os abaixo-assinados, as recolhas de fundos, mobilizaram muitos milhares de portugueses. Todas estas acções solidárias contribuíram para o isolamento interno e externo do regime fascista.

 

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49 - VI Congresso/Rumo à Vitória

"Rumo à Vitória - As Tarefas do Partido na Revolução Democrática e Nacional", constituiu a base política do Relatório apresentado por Álvaro Cunhal ao VI Congresso, realizado em 1965. Definia o caminho para o derrubamento da ditadura e os objectivos da revolução portuguesa que se consubstanciaram depois no Programa para a Revolução Democrática e Nacional que o VI Congresso aprovou. O VI Congresso teve uma influência determinante para a revolução portuguesa.

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48 - Conquista das 8 horas

 As lutas do 1.º de Maio de 1962 têm continuidade durante todo o mês nas greves dos assalariados rurais do sul pela jornada de trabalho de 8 horas. A luta pelas 8 horas vinha de trás. Muitas e muitas lutas já tinham sido travadas pelos proletários rurais do sul por esta reivindicação. Em Maio de 1962 as 8 horas são conquistadas. Esta conquista é de facto uma vitória histórica e um marco fundamental na luta do proletariado português pela sua libertação. «O Partido Comunista, que dirigiu desde o início a luta, pode orgulhar-se desta vitória dos assalariados rurais como uma vitória sua».

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47 - 1.º de Maio de 1962

100 mil pessoas ocuparam as ruas de Lisboa durante longas horas, enfrentando o aparato policial. Às cargas brutais da polícia e às rajadas de metralhadora responderam com pedras, arrancadas do pavimento, e com postes de sinalização, dispersando num lado para se reagrupar no outro. Neste confronto, o jovem operário comunista Estevão Giro é morto por uma carga policial. As comemorações do 1.º de Maio estendem-se a todo o País em importantes jornadas de luta que terão continuidade, particularmente no Sul. Em Aljustrel, o jovem mineiro António Adângio é assassinado pela GNR.

 

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46 - Rádio Portugal Livre

 

A 12 de Março de 1962 a RPL iniciou as suas emissões: Fala Rádio Portugal Livre! Aqui Rádio Portugal Livre! Emissora Portuguesa ao Serviço do Povo, da Democracia e da Independência Nacional! Era a voz do PCP e das forças democráticas que, durante 12 anos de actividade quotidiana, entrava em casa dos portugueses, levando-lhes notícias das lutas em curso, mobilizando-os para o combate, informando-os sobre o que no mundo se passava e que a censura fascista proibia.

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45 - A luta dos estudantes

A “crise académica de 1962” foi a primeira das grandes lutas dos estudantes que varreram a Europa na década de sessenta. Se o dia 24 de Março de 1962 se tornou em Portugal no "Dia do Estudante" é porque foi precisamente nesse dia que, com a violenta carga da polícia de choque sobre os milhares de estudantes que desfilavam no Campo Grande, se abriu um prolongado período de dura confrontação entre os estudantes e o governo que, durante meses, se estendeu a quase toda a Universidade. A luta dos estudantes sacudiu o país, abalou o regime.

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44 - Assassinato de José Dias Coelho

Eram oito horas da noite, de 19 de Dezembro de 1961. José Dias Coelho, funcionário clandestino do PCP, seguia pela Rua dos Lusíadas. Cinco agentes da PIDE saltaram de um automóvel, perseguiram-no, cercaram-no e dispararam dois tiros. Um tiro à queima-roupa, em pleno peito, deitou-o por terra; o outro foi disparado com ele já no chão. Os assassinos meteram-no num carro e partiram a toda a velocidade. Só duas horas depois, quando estava a expirar, o entregaram no Hospital da CUF. «De todas as sementes deitadas à terra, é o sangue derramado pelos mártires que faz levantar as mais copiosas searas»: eis a legenda que José Dias Coelho dera à sua última gravura, criada um mês antes de ser assassinado, e representando o assassínio do operário Cândido Martins Capilé à frente de uma manifestação popular.

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43 - Fuga de Caxias

A evasão foi minuciosa e longamente estudada e organizada sob a orientação do Partido. No dia marcado, 4 de Dezembro de 1961, às 10 horas, o militante António Tereso, conduzindo um pesado carro blindado – que Salazar utilizara e estava no Forte para reparação – despedaça os portões de acesso ao pátio do Forte de Caxias e desaparece perseguido pelos tiros da GNR. Nele seguiam, dirigentes e quadros destacados do Partido: Francisco Miguel, José Magro, Guilherme da Costa Carvalho, António Gervásio, Domingos Abrantes, Ilídio Esteves.

 

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42 - Álvaro Cunhal, secretário-geral do PCP

 

Em Março de 1961, o Comité Central elege Álvaro Cunhal secretário-geral do Partido. Em Março de 1964, o CC debate e aprova o relatório Rumo à Vitória, de Álvaro Cunhal, que constitui um contributo decisivo para a preparação do Programa do PCP que viria a ser aprovado no VI Congresso.

 

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