Alfredo Dinis

Alex: Homenagem ao revolucionário comunista no 65º Aniversário do seu Assassinato pela PIDE

alex2.jpgPara assinalar o 65º Aniversário do assassinato pela PIDE de Alfredo Dinis, está a Concelhia de Loures do PCP a realizar um vasto conjunto de iniciativas (cujo plano completo pode ler aqui ). Para complementar o ciclo de debates, foi editada uma brochura que inclui vasto material histórico sobre este revolucionário e sobre a luta contra o fascismo ( desde fichas da PIDE, a facsimiles do Avante) de que disponibilizamos hoje aqui a edição em PDF (8MB).   

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Há 60 anos a PIDE assassinou Alfredo Dinis (Alex)

Há 60 anos a PIDE assassinou Alfredo Dinis (Alex)

Maria Piedade Morgadinho


«Escondidos atrás da furgoneta os homens esperavam silenciosamente, como numa caçada. Em breve o viram aparecer. Aproveitava a descida para dar velocidade à bicicleta, naquele seu jeito destemido e moço de saborear a rapidez da corrida, o vento nos cabelos, a alegria de viver.

Um dos homens saltou detrás da furgoneta e com um encontrão fê-lo cair na beira da estrada. Quando se levantou, dum salto, estava cercado. Um tiro deitou-o por terra.

De longe, um camponês presenciara a emboscada em que José Gonçalves acompanhado de Fernando Gouveia e mais um bando de agentes da P.I.D.E., assassinaram cobardemente o comunista Alfredo Dinis.

Por que é que nesse dia 4 de Julho de 1945, na solitária estrada de Bucelas, a P.I.D.E matou esse homem?» (1)

Ao fazer esta interrogação, descrevendo no seu livro «A Resistência em Portugal» esse crime do fascismo, o escultor comunista José Dias Coelho, então na clandestinidade e também ele mais tarde assassinado pela PIDE, apresenta traços da biografia política de Alfredo Dinis.

Alfredo Dinis, que na clandestinidade usou o pseudónimo de Alex, nasceu em Lisboa em 29 de Março de 1917 e tinha 28 anos quando a PIDE o assassinou. Operário metalúrgico da Parry & Son, trabalhava de dia e à noite estudava numa escola industrial.

Aos 19 anos entrou para as Juventudes Comunistas. Preso em Agosto de 1938 pela polícia fascista foi condenado a 18 meses de prisão. Quando saiu da prisão retomou a sua actividade revolucionária. Na qualidade de secretário da célula do PCP na Parry & Son passou a fazer parte do Comité Local de Almada. Em 1943 entrou para o Comité Local de Almada. Também em 1943 entrou para o Comité Regional de Lisboa e pouco depois foi eleito para o Comité Central no III Congresso (1º ilegal) do Partido, realizado nesse mesmo ano, passando a fazer parte do então existente Bureau Político.

Alfredo Dinis desenvolveu uma intensa actividade, participou na organização das lutas de 1942 na região de Lisboa e mais tarde na organização e direcção das grandes vagas de greves de 1943 e 1944 na região de Lisboa, Margem Sul e Ribatejo, assim como nas grandiosas manifestações da vitória sobre o nazi-fascismo de Maio de 1945.

Álvaro Cunhal, na sua conhecida obra «Rumo à Vitória», ao sublinhar o papel da organização, particularmente da organização partidária dentro das empresas e da organização das lutas reivindicativas económicas e políticas, chama a atenção para as características que deve ter um quadro comunista a trabalhar no seio dos trabalhadores e para a importância da sua ligação à classe operária e apresenta o exemplo de Alfredo Dinis:

- «As greves não se decretam, mas decidem-se e declaram-se» – escreve Álvaro Cunhal. «Para o fazer com êxito é necessário conhecer de perto a disposição das massas, conhecer a evolução da luta e escolher o momento justo. A percepção revolucionária e a audácia dos militantes representam um importante papel. Vinte anos atrás, o êxito de algumas importantes greves dirigidas pelo Partido deveu-se em grande parte à acção de um militante destacado: Alfredo Dinis, operário da Parry & Son, assassinado pela PIDE em 1945. Alfredo Dinis conhecia profundamente os problemas da classe operária, conhecia a classe, acompanhava dia a dia as lutas dos sectores que lhes estavam confiados, era um óptimo organizador das lutas reivindicativas e mais de uma vez foi ele a dizer audaciosamente à direcção do Partido: «O momento para a greve é agora!». E acertava. As organizações operárias do Partido devem trabalhar como trabalhava Alfredo Dinis – sublinha Álvaro Cunhal, acrescentando: «Tal como ele, ao organizarem as pequenas lutas reivindicativas, devem olhar sempre audaciosamente em frente, procurando incansavelmente alargar as lutas, unificá-las, fundi-las, conduzi-las a etapas superiores encontrando em cada fase as formas eficientes de organização.» (2)

Passaram mais de 40 anos sobre estas palavras de Álvaro Cunhal. Presentemente desenvolvemos a nossa luta em condições muito diferentes das de então, mas elas continuam a ser tão válidas hoje como o foram ontem. Como válida continua a ser ainda hoje a herança revolucionária que nos legou Alex com o seu exemplo de militante comunista estreitamente ligado à vida e à luta da classe operária e cujo 60.º aniversário do seu assassinato O Militante assinala neste número.


(1) A Resistência em Portugal, José Dias Coelho, Inova, págs. 59, 60.
(2) Rumo à Vitória, Álvaro Cunhal, Edições «Avante!», 2.ª edição, págs. 248, 249.
 

«O Militante» - N.º 277Julho/ Agosto 2005

Sobre o 60.º Aniversário do Assassinato de Alfredo Dinis, «Alex»

Sobre o 60.º Aniversário do Assassinato de Alfredo Dinis, «Alex»

 
O Secretariado do Comité Central do PCP recorda que há 60 anos a ditadura fascista cometeu um odioso crime quando, na manhã de 4 de Julho de 1945, a PIDE assassinou na estrada de Bucelas, Alfredo Dinis, «Alex», membro do Comité Central e da Comissão Política do Partido Comunista Português.

Este crime do fascismo teve lugar no preciso momento em que, como por todo o mundo, os trabalhadores e o povo português comemoravam o fim da II Guerra Mundial e a pesada derrota infligida ao nazi-fascismo, o que comprova o ódio do fascismo aos corajosos lutadores pela liberdade.
Alfredo Dinis, «Alex», foi um abnegdo revolucionário e firme militante comunista que dedicou o melhor da sua vida, embora curta – «Alex» foi assassinado quando tinha apenas 28 anos – à luta dos trabalhadores e do nosso povo contra o fascismo e pela liberdade.

Operário metalúrgico, iniciou a sua actividade política e partidária contra a ditadura fascista ainda muito jovem. Foi membro da Federação das Juventudes Comunistas, pertenceu ao Socorro Vermelho Internacional. Como membro do PCP, foi responsável por importantes organizações na região de Lisboa, Ribatejo, Margem Sul do Tejo e Litoral Alentejano.

Tendo sido preso pela PIDE em Agosto de 1938 «Alex», portou-se valorosamente frente à polícia defendendo o Partido e as organizações, recusando-se a prestar declarações.

Desenvolvendo a sua actividade política estreitamente ligado aos trabalhadores, conhecendo profundamente os seus anseios, aspirações e estado de espirito, o nome do militante comunista «Alex», ficará para sempre ligado a algumas das mais grandiosas e combativas acções de luta dos trabalhadores e das massas populares contra o fascismo, por melhores condições de vida, pela liberdade.

«Alex» foi um dos principais organizadores e impulsionadores das grandes jornadas populares e grevistas (greves, marchas da fome, manifestações de rua) que tiveram lugar em Novembro de 1942 e em Julho-Agosto de 1943, bem como das greves de 8 e 9 de Maio de 1944 a cujo comité de greve pertenceu.

Embora já passados 60 anos, o aniversário do assassinato de Alfredo Dinis, «Alex», não deve passar em silêncio. A luta contra o fascismo e pela liberdade, a luta em defesa das conquistas de Abril e a longa história do PCP são inseparáveis de sucessivas gerações de revolucionários que, como Alfredo Dinis, defrontaram corajosamente a repressão fascista e suportaram enormes sacrifícios por um Portugal livre, democrático e socialista.

Numa altura em que se desenvolve uma poderosa ofensiva contra as condições de vida dos trabalhadores, em que importantes conquistas democráticas continuam a ser atacadas e se torna cada vez mais necessário a existência de um PCP forte e influente, a melhor homenagem que se pode prestar ao camarada Alfredo Dinis, é tomar-se como exemplo a sua vida de dedicação ao Partido, de firmeza revolucionária, de empenhamento no desenvolvimento da organização e da luta dos trabalhadores, pelo pão, pelo direito ao trabalho, pela liberdade, a democracia e o socialismo.

30 de Junho de 2005
O Secretariado do Comité Central do PCP