owen

OWEN, ROBERT (1771—1858)


Relevante socialista utópico inglês. Em 1808, começou a dirigir uma importante fábrica em New Lanark (Escocia), onde estabeleceu a jornada de trabalho de 10 horas e meia (naquela altura, muito reduzida), fundou uma escola para os filhos dos operários, um jardim de infância, um berçário, etc.

Por volta de 1820, Owen chega à convicção de que era necessário reorganizar a sociedade sobre os princípios do trabalho colectivo e da propriedade social. Ao regime capitalista contrapunha uma sociedade racional concebida como federação livre de pequenas comunidades socialistas autónomas. Owen tentou levar à prática as suas ideias. Em 1824 muda-se para a América onde organiza a colónia Nova Harmonia (1825-1828). Depois de quatro anos de experiências fracassadas, Owen regressa a Inglaterra e em 1839 tenta outra vez dar vida à ideia das comunidades autónomas, organizando no seu país a colónia “Harmony Hall” (existiu até 1845).

No início da década de 1830, Owen coloca grandes esperanças na actividade dos sindicatos, das cooperativas, das cooperativas e dos mercados de troca. Considerava que o valor de cada mercadoria devia determinar-se em horas de trabalho humano indispensável para a produzir. Em unidades “naturais” de trabalho deveria calcular-se, em consequência, o salário do operário. Desta tese retirava Owen a conclusão utópica sobre a possibilidade de garantir ao operário “a parte justa” do produto do seu trabalho transformando o sistema monetário (introdução de recibos especiais “dinheiro de trabalho”). O Bazar que organizou em Londres (1832) aceitava mercadorias tanto de indivíduos como de cooperativas. Era calculado o valor da matéria prima e a quantidade de tempo de trabalho necessário para elaborar a mercadoria. O vendedor recebia créditos em “horas de trabalho” e, por esses créditos, tinha direito a receber do armazém mercadorias cujo valor se encontrava estabelecido da mesma forma. O bazar despertou o interesse dos operários agrupados nas cooperativas de Londres, e à sua volta começaram a surgir cooperativas de produção. No entanto, rapidamente apareceram as contradições internas da organização da troca num regime de produção espontânea, sem planificação. Os artigos de muito uso esgotavam-se rapidamente e os outros permaneciam muito tempo armazenados. A desproporção entre as compras no Bazar e as vendas foi crescendo. Em 1834 foi necessário liquidar o Bazar.

Owen confiava em poder transformar a sociedade mediante a instrução e a educação. Para pedir ajuda para levar à prática as suas ideias, Owen dirigiu-se em mais de uma ocasião a personalidades reaccionárias (Matternich, Nicolai I e outros).

Os projectos e ensaios de Owen para transformar em realidades as ideias socialistas derivavam do sonho utópico de que a sociedade capitalista pode transformar-se em socialista “tem ter em conta um problema tão fundamental como a luta de classes, o da conquista do poder político pela classe operária, o derrocar o domínio da classe dos exploradores” (Lénine).

Ao mesmo tempo, Owen fez uma crítica, para o seu tempo, brilhante e profunda do capitalismo. Durante 40 anos esteve ao serviço da classe operária e propagou as suas ideias do comunismo ainda que de forma utópica. Foi o primeiro em formular a ideia de uma legislação fabril e da protecção do trabalho, e o primeiro a lutar por essa ideia. Owen é o único de todos os grandes utopistas que tentou ligar – ainda que partindo de uma teoria insuficiente e por isso sem êxito – o problema da transformação socialista com o movimento da classe operária.

“Todos os movimentos sociais, todos os progressos reais registados em Inglaterra no interesse dos operários, vão associados ao nome de Owen”, escreveu Engels no “Anti-Duhring”. Com pleno direito ocupa Owen um lugar entre os grandes pensadores e homens de acção que foram os percursores do comunismo cientifico.

in Dicionário de Economia Política de Borísov, Zhamin y Makárova